Sesimbra -
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Sinopse 2013 - Clica e confere

É com um orgulho e alegria imensas que o GRES Trepa no Coqueiro presta homenagem ao expoente máximo do samba em Portugal.
Um dos maiores símbolos da sua história, ele, o Mestre de todos nós, sambistas que crescemos a ouvi-lo e a saber respeitá-lo.
Uns seguiram em frente, outros ficaram pelo caminho mas, com a certeza de que ele é o elo para melhor entender-mos o conceito e o fenómeno de popularidade que é a Escola de Samba em Sesimbra.

Ligado à música desde menino pela mão de seu pai, um músico que vivia entre Portugal e África, fez a sua paixão pelo samba e música popular brasileira despertar bem cedo.
A forte ligação familiar à música, revelou-se vital para a sua formação como músico e acima de tudo como sambista.
Desde muito cedo, que Sesimbra era o seu destino de férias, a paixão pela vila fez motivar o grande envolvimento com o que seria hoje, o maior fenómeno de popularidade de Sesimbra, o seu Carnaval.
   
De personalidade determinada e marcante, o seu conhecimento ainda maduro sobre a realidade local, veio intensificar-se com o projecto dos Cheirinhos da Fossa e confirmar a sua genialidade enquanto, músico e conhecedor do processo criativo que a Escola de samba desenvolve.

Em plena década de 70, os movimentos de rua tornam-se mais frequentes é a altura da manifestação colectiva; sente-se o ímpeto de alterar algo sempre que se fazia, a favor de alguma coisa diferente, mais vibrante, que pudesse dizer em voz alta o que sempre tinha sido proibido comentar. As Escolas de samba fervilham de actividade em Sesimbra por esta altura, o momento é de fazer algo diferente, e ele, um jovem de 20 anos, decide criar uma Escola de Samba com outros estudantes de estratos sociais mais politizados.
Como a musica que fazia “arrepiar” na altura era o samba e as marchas brasileiras, eis que surge a primeira Escola de Samba em Sesimbra e em Portugal. O seu envolvimento é de total entrega, constroem-se manualmente os primeiros instrumentos de samba, alguns em sua casa, e a organização da primeira bateria de Escola de Samba surgiu da sua determinação.

Mas, a desilusão com o projecto chega ao fim de 3 anos levando-o para uma nova experiência. Os Sambistas da Rosa, um grupo de amigos, que animam o Carnaval desse ano no Pavilhão do Grupo Desportivo de Sesimbra., na época áurea dos Carnavais das sociedades recreativas.

Mas, logo de seguida a sua forte paixão pelo samba fá-lo aceitar o convite para um novo e desafiante projecto. A Bateria do GRES Trepa no Coqueiro.
Na altura era mais uma Escola de Samba em Sesimbra mas, que sobre a batuta do Mestre viria a revelar-se o maior motor de mudança e renovação do Carnaval local.

A sua intervenção na Escola foi de tal forma avassaladora que a disciplina que o mesmo exigia no desempenho dos componentes ia naturalmente acontecendo e despertando em toda a Escola.
Formaram-se verdadeiros sambistas apaixonados pelo que faziam, belos tempos!
Assiste-se a uma revolução incrível em todas as áreas da Escola, organizativa, musical e estética. O primeiro samba de enredo original surge pelas suas mãos, “ Um Universo Imaginário” que maravilhou todos com uma composição brilhante.
SENTI NO AR A POESIA
QUE ENGRANDECIA TODO O CÉU A TERRA E O MAR
E DESTE TURBILHÃO DE ALEGRIA
FIZ AVENIDA PARA A MINHA ESCOLA PASSAR
E... QUERIA CHORAR AGORA
FASCINADO NESSA HORA
PELO ENREDO ORIGINAL
No Carnaval de 1985, foi dado o mote para a mudança que se avizinhava em todos os sentidos, a sua intervenção foi determinante para a vida da Escola e do futuro do Carnaval de Sesimbra. A partir daqui já nada seria o mesmo nas relações entre as Escolas de Samba e o poder politico na altura. Ele sempre desconfiara e sempre se opusera à forma como o Carnaval de Sesimbra se foi desenvolvendo, sempre controlado indirectamente pelo poder político.
A sede de mudança e a irreverência instituída na Escola eram gigantescas, ele ensinou-nos e fez-nos despertar para uma realidade contestária e algo revolucionária, com os enredos e a postura que a Escola de Samba assumiu. O orgulho de ser comandado por ele era disputado entre todos. A sua determinação em defender a Vila e o processo do Carnaval valeu-nos uma postura anti-politicas e contra políticos “da treta” que segundo ele, umas vezes nos davam palmadinhas nas costas outras vezes nos “sacaniavam”.
Mais composições musicais do Mestre, surgem nos Carnavais seguintes, e a sintonia da Escola com o povo de Sesimbra é cada vez maior. O Carnaval de 1991 veio marcar para sempre a vida do GRES Trepa no Coqueiro e do Carnaval de Sesimbra. Impedidos de desfilar nesse ano pelas restantes Agremiações, o GRES Trepa no Coqueiro e o Mestre deixam nos nossos corações um dos mais emblemáticos sambas, que perdurará por toda a nossa vida.
QUANDO O POVO TRANSFORMA A PEDRA EM TANTA BELEZA
REGISTANDO A FORÇA E ALMA DE UMA NAÇÃO
NÃO SE DEVE DESTRUIR TANTA RIQUEZA... NÃO
NÃO SE DEIXA QUE O LUCRO SUPERE A RAZÃO
É PÁ É/ARTE E BELEZA
É PÁ É/ NOSSA TRADIÇÃO
É PÁ É/ TANTA RIQUEZA
NOSSA CONSTRUÇÃO
E ASSIM SE DEIXA ESQUECER UM POVO BONITO
SE DEIXA MORRER SEU GRITO AFLITO
E SE ESTÁ NAS TINTAS PARA O MAL

Grandes Carnavais são apresentados e grandes momentos são vividos, nunca mais ninguém vai esquecer o momento em que o Trepa no Coqueiro inteiro, em pleno desfile, se ajoelha perante a Capela, em sinal de respeito a um grande sambista que tinha morrido no dia anterior.
A sua acção na Escola é renovadora, e o impacto que a mesma tem no Carnaval de Sesimbra é determinante para uma nova interpretação do processo, de desenvolvimento da Escola de samba.
Eis que surgem o Movimento Plataforma e a ideia da legalização da primeira Escola de Samba em Portugal. Guiados pela sua visão, de um Carnaval sustentável e autónomo, o recém-criado Movimento Plataforma das Escolas de Samba de Sesimbra é apadrinhado e impulsionado pela maior investigadora sobre Carnaval em Portugal e no Brasil, Marília Barbosa. O Movimento Plataforma veio comprovar que essa mesma autonomia que ainda hoje se pretende só dependia de um simples conceito, a união. A primeira Escola de Samba legalizada em Portugal surge pela sua mão, no Trepa no Coqueiro, a sua determinação em torná-la autónoma na angariação de apoios e estruturas, depressa se alastra a outras agremiações. A sua acção alterou para sempre a vida e a história do GRES Trepa no Coqueiro e o seu nome vai estar eternamente ligado à Escola. O português mais brasileiro de Portugal alcançou visibilidade internacionalmente e levou o nome de Sesimbra e de Portugal além-mar, viu o seu talento e a sua simplicidade de sambista ser reconhecida por grandes nomes do Olimpo Carioca.
Durante quase uma década, ele, o mestre “ Sabiá” como alguns sambistas lhe chamavam respeitosamente, indicou-nos o caminho a seguir, o, do verdadeiro significado do conceito Escola de samba, como motor cultural e de desenvolvimento económico de um Concelho outrora determinado em seguir fechado em si mesmo. Mas, como todas as coisas, tudo tem um princípio e um fim e, a sua desilusão com o projecto chegou. Aliciado por outros sambistas, criou uma nova Escola de Samba “O QUILOMBO DE SANTIAGO” o nome, esse, escolhido na mais pura raiz africana que lhe corre nas veias.
De ideais definidos e amadurecidos pelo tempo, o novo projecto promove a verdade de uma Escola de Samba livre e desprendida de conceitos, que para ele, apenas impedem a sua evolução, livre e natural. O samba ganha terreno e toda a importância que deve ter numa escola de samba, acessível e livre para todos. Toda a sua genialidade musical tem a maior expressão com um espaço de música e encontro de grandes nomes do samba em Portugal, o mesmo que ainda e até hoje reúne grandes músicos. A vivência com ele, é uma viagem alucinante de coisas e exemplos válidos e um turbilhão de momentos que nos leva aos mais recônditos lugares do samba e choro, de grandes compositores de outros tempos.
Influenciado sobretudo pela obra de Vinicius de Moraes, Badem Powel e Cartola, ele, o Mestre, dividido num amor entre Mangueira e Salgueiro, filho de Oxalá e grato à vida por ter conhecido pessoalmente Mestre Louro.
Apaixonado pelas suas duas filhas, Carolina e Cláudia, e sempre atento aos passos que as mesmas dão e seguem. Um homem orgulhoso do que fez e do que disse, nos últimos anos o Mestre, afasta-se lentamente talvez desiludido pelo percurso que o Carnaval e as Escolas de Samba insistiam em seguir, o mesmo percurso que hoje vem confirmar que ele afinal sempre teve razão.

Mas, não se pode impedir que as coisas evoluam, desde que essa evolução seja correcta e não desvirtue o modelo inicial e a sua função principal para, que esta nova geração de sambistas conquistem com a mesma determinação e garra o que ele conseguiu através de um simples samba.
E hoje, o maior impulsionador senão, o grande criador do fenómeno de Escolas de Samba em Portugal, tema de enredo da sua maior criação, traz no coração de todos os verdadeiros sambistas de GRES Trepa no Coqueiro e de Sesimbra, a lembrança de antigos Carnavais e de como foi importante o que se conquistou.
Imortalizado para sempre na memória dos que lhe estão gratos eternamente, vê hoje a sua obra e vida retratadas no maior palco popular e na objectiva do realizador Pedro Sabino, que procura mostrar a vida de um grande músico e sambista.
A todos os que não tiveram a felicidade de conviver mas, que ainda podem ter a honra de conhecer …
Apresento-vos:
REINALDO NUNES, O ARQUITETO DO SAMBA.
 


 


Um obrigado profundo, ao GRES Trepa no Coqueiro por esta oportunidade de poder homenagear este ícone do Carnaval de Sesimbra e de Portugal.

                                O CARNAVALESCO
                                         Paulo Macedo

 
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